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CASA DO ANDAM

CHAMAMENTO

Estava prestes a acabar uma obra e dada a insatisfação com o processo de fazer Arquitectura, o Arquitecto decidiu ir à Ordem dos Arquitectos com o intuito de suspender sua inscrição. Ainda assim sentiu a necessidade de esclarecer uns assuntos com respeito ao exercer da profissão e uma reunião foi concedida para esse fim nessa mesma tarde. Após um longo encontro, recorda de ter saído da sala sem esclarecimento algum, mas recorda também a linda e profunda conversa desenvolvida com respeito à profissão.

Uma semana mais tarde, recebeu um telefonema da Ordem. Alguém queria falar com o Arquitecto pessoalmente sobre um projecto. Ponderou ter sido engano mas não, seu nome teria sido recomendado a essa pessoa pelo colega Arquitecto com quem se tinha encontrado no dia que suspendeu a inscrição. Embora sem espectativas, por respeito a quem o recomendou e a quem estava interessado em conhece-lo, aceitou o convite para se encontrarem.

O encontro foi uma delícia. Ouviu e sentiu o interesse e entusiasmo com respeito ao que esta pessoa  pretendia fazer. Tratava-se de um convite para restaurar uma casa de família muito particular e com um grande valor sentimental. Toda a informação da casa foi partilhada nesse encontro como um livro aberto, incluído fotografias. O Arquitecto não pretendia aceitar outra obra. Estava esgotado. Mas a pessoa que conheceu e as imagens da casa não lhe foram insignificantes e, sem compromisso, combinou-se uma visita ao lugar.

POTENCIAL

Durante a visita, a sinergia entre o lugar, a casa e os proprietários foi crescendo. Numa simbiose entre sentimentos de obrigação profissional e missão pessoal, um profundo sentimento revelou-lhe que deveria ser ele a pegar no projecto.

A casa estava em muito mau estado de conservação e o fim pretendido da sua nova função puramente habitacional carecia de uma profunda reorganização espacial, mas a sua rica essência arquitectónica era óbvia para o Arquiteto. O entusiasmo com o lugar, a diversidade de espaços interiores e exteriores, as vistas deslumbrantes que se adivinhavam, a sua escala, materiais e sobretudo, a simpatia e humildade de seus proprietários, levou-o a aceitar o desafio. Cabia-lhe agora desvendar o como restaurar e harmonizar toda essa desordem para valorizar ao máximo o potencial desta casa ressuscitando sua aura com a merecida nobreza.

LUGAR

A localidade onde esta intervenção teve lugar foi no Lugar do Andam, junto ao Juncal, concelho de Porto de Mós. Trata-se de uma pequena localidade onde se trabalhava, sobre tudo, a apanha da fruta. Após sua profunda desertificação, hoje em dia graças ao fácil acesso às diversas cidades circundantes, o lugar está a retomar sua vivência e tal se pode constatar com o elevado numero de novas casas e restauro de casas de família.

Embora a casa esteja junto à estrada o lugar é bem sossegado não só devido ao pouco transito que aqui se faz sentir mas, sobretudo, devido à sua inteligente orientação e configuração original. Virada a Sul e pousada no alto da colina, desenvolve-se através de desníveis longitudinais progressivamente virados para o seu silencioso pátio, o jardim, a terra de cultivo e para as deslumbrantes vistas sobre a Serra dos Candeeiros.   

CONCEITO

Através de um conceito holístico, energias desorganizadas foram trabalhadas, assimiladas e organizadas para formar uma estrutura específica com identidade, criando de valor , beleza e verdade.

Trata-se de um entendimento da Arquitectura como um processo de evolução que, tal como na natureza, respeita as três fases principais de Adaptação (exploração com respostas imediatas ao lugar), Transformação (reflexão) e Cristalização (criação). Assim pretendeu-se intervir de uma maneira autentica e coerente, resultando numa harmonia com o seu contexto / forma e função, assim como com as intenções / pretensões dos proprietários e do Arquitecto.

INÍCIO

O Arquiteto considera crucial a fase inicial de limpeza para um verdadeiro desenvolvimento de obra, assim como a sua presença in-loco desde esse momento. Assim tem a possibilidade de integrar-se e familiarizar-se com o lugar, a casa e seus colaboradores, criando as condições que entende como fundamentais para um saudável crescimento de obra. A limpeza profunda dá a possibilidade de conhecer mais intimamente o espaço e desvendar sua história, descobrindo recantos e artefactos que poderão ser reinterpretados com uma nova vida no lugar onde pertencem. Embora a intervenção tenha sido inteiramente inspirada em reminiscências do passado deste lugar, apenas as sólidas paredes de pedra originais prevaleceram.

MÉTODO DE TRABALHO

O seu método de trabalho é, garante-nos, intuitivo. Os seus verdadeiros clientes são as próprias obras. É com elas que passa a maior parte do seu tempo “escutando-as” atentamente. São elas que lhe “sussurram” e lhe dizem como querem ou não ser reconstruídas. Como se de um “porta-voz” se tratasse, assume por isso que a sua função é sobretudo “saber ouvir” e ajudar a criar naquele particular lugar, o que este lhe pede que seja feito. Após esta íntima comunicação ser estabelecida, passa à prática, socorrendo-se de esquissos, maquetes e constante comunicação com seus colaboradores, que considera ser de vital importância para a minimização de erros em obra e uma saudável fluidez no seu processo.

TRANSFORMAÇÃO

Embora o seu restauro tenha sido total, ao mesmo tempo que foi feita uma transformação aparentemente subtil no seu exterior sem ampliar sua área bruta, foi feita uma mudança profunda no seu espaço interior.

Originalmente a área para habitação era pouca devido à primordial função da casa dedicada ao gado e cultivo. Seu novo programa mudou os espaços interiores da casa para quatro novos quartos, quatro novas casas de banho, dois espaços de apoio e uma cozinha e sala de estar com maiores dimensões proporcionadas com o novo numero de pessoas que poderá habitar a nova casa.

O resultado final pretendeu-se mais harmonioso respeitando a riqueza original da sua construção e a memória da história do lugar.

MATERIAIS

O Arquiteto acredita que a simplicidade dos materiais ressalta a essência da sua Arquitectura, a qual  pretende ser genuína e não mascarada. Acredita que a beleza da Arquitectura, tal como a do ser humano, está na sua simplicidade e no seu fazer sentido.

Respeitando e preservando a identidade da construção original, a recuperação fez-se com recurso a materiais locais como o são a madeira de Pinho, o tijolo burro ou a pedra da Serra dos Candeeiros. No entanto, como que estivesse recriando um puzzle, sempre que possível o Arquiteto recorre aos materiais originais da própria casa dando-lhes por vezes novas utilizações.

As paredes originais de pedra e tijolo de burro foram simplesmente restauradas. No caso das segundas, uma parede dupla interior em tijolo com caixa de ar e isolamento foi adicionada por razões de climatização das novas áreas habitacionais. Os rebocos interiores e exteriores foram colocados à costa da colher como reminiscência visual e construtiva das casas locais desta época. As telhas da casa mãe foram reutilizadas na sua totalidade. Só nos telheiros exteriores as telhas são novas, uma vez que estes carecem de laje e sua permeabilidade deve ser cuidada.

ILUMINAÇÃO

O Arquitecto considera a iluminação como uma habitual fonte de poluição não física ou visual, mas sim sensitiva, pelo que lhe dá especial atenção. A luz aparece através de nichos, prateleiras, degraus e muito habitualmente escondida atrás das próprias vigas, funcionando como cascatas de luz homogéneas.

O vidro transparente também é muito utilizado como entradas de luz e separação espacial através de claraboias, telhas de vidro, vãos interiores ou “tapetes de vidro”. Os jogos de espelhos minuciosamente direccionados funcionam também como reflexos de luz e amplitude espacial.

Dada a expansão e idealização da nova configuração espacial da casa, esta requereu uma atenção elevada com respeito ao equilíbrio de sua iluminação natural e artificial. Espaços amplos de pé direito duplo como a sala de estar requereram entradas de luz pontuais como um óculo para iluminar seu alto pé direito, assim como cascatas de luz escondidas atrás de vigas para iluminarem a parede mais elevada. Espaços compridos como os corredores dos quartos requereram jogos de luzes naturais puxadas desde os vãos dos quartos e canalizadas através de outros vãos entre os quartos e os corredores, que por sua vez reflectem a luz nas paredes brancas dos mesmos iluminando também o corredor do piso inferior através de um “tapete de vidro” a todo seu comprimento.

CONCLUSÃO

Mediante um conceito holístico, o Arquitecto trabalhou as energias desorganizadas, utilizando-as, assimilando-as e organizando-as formando uma estrutura específica com identidade, criando beleza, verdade e valor. No caso particular desta intervenção, poder-se-á dizer que a outrora pequena, confusa, escura e muito compartimentada casa, transformou-se num amplo espaço fluido , luminoso e ao mesmo tempo acolhedor, onde tudo passou a fazer sentido ser… onde é!

Pretendeu-se ir mais além do que construir uma casa com as lembranças nostálgicas do passado, de apreciações estandardizadas do lugar definidas pela presença imediata. Tratou-se de entender o lugar através das suas qualidades intangíveis, suas lendas, suas politicas e humanidade infundindo a intervenção de uma forma autentica e estilisticamente intemporal com a própria morfologia e o Espírito do lugar.

NOTAS

Início de obra:                       2010

Tempo de Obra:                    2 anos.

Localidade:                           Rua Principal, nº 49. Lugar do Andam. Porto de Mós. Portugal

Colaboradores de obra:      Filipe Rainho Ferreira (Pedreiro)

                                                Ricardo Santos (Pedreiro)

                                                Rui Leitão (Pedreiro)

                                                João Bento (Pedreiro)

                                                Vando Silva (Electricista)

                                                Raul Salgueiro (Carpinteiro)

                                                Sergio Silva (Isolamentos)

                                                Jorge Morais (Pinturas e vernizes)                          

Encarregado de obra:         Joaquim Santos

Arquitecto responsável:     Pedro Quintela

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