Marcio Kogan: Transposição do Exterior ao Interior

Nicole Nunes – homify Nicole Nunes – homify
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Márcio Kogan é um dos mais renomados nomes da arquitetura contemporânea brasileira. Em suas obras são notáveis os traços de influencia da arquitetura brutalista de São Paulo, que se desenvolveu durante o modernismo. Para além das influências deste período, o Studio MK27, é extremamente bem sucedido no que diz respeito a conforto ambiental de maneira ecológica, respeitando as intempéries climáticas de um país tropical.

O que chama atenção em seus projetos é a comunicação entre os ambientes internos e externos, já que em muitos casos não há uma delimitação óbvia de início e fim da área coberta. Portanto ventilação cruzada e iluminação natural são sempre pontos fortes da arquitetura de Kogan, tornando-a bem sucedida nas mais diversas paisagens – seja no litoral como na cidade.

Este artigo aponta elementos arquitetônicos em suas obras que tornam a transposição entre espaços tão sútil e, por sua vez, tão bem integrado no terreno e na paisagem.

Volumes longitudinais

Típicos da arquitetura de Kogan, os volumes longitudinais com térreo aberto na maioria de suas fachadas, intensificam a relação com o exterior e ao mesmo tempo integram o jardim ao pavimento que se estende a área coberta. Soluções estruturais inteligentes e simples fazem aplicáveis preceitos modernistas como o térreo livre.

Elementos de fechamento

Os elementos de fechamento são em sua maioria vidros de correr e embutir, possibilitando a total abertura das fachadas. Desta forma, gera-se uma continuidade visual do espaço e os limites quase que invisíveis, resultando em áreas de estar internas que se confundem com varandas.

Pisos prolongados

Juntos, a extensão dos materiais desde o ambiente interno ao externo e a inserção no terreno colaboram para o diálogo entre a arquitetura e a paisagem. Na Casa em Parati, as mudanças de texturas são exploradas em diferentes níveis: da madeira do deck à água da piscina e à areia da praia, trazendo a tona a poesia dos elementos naturais.

Uso de diferentes níveis

Ainda lembrando os preceitos modernistas de Le Corbusier, a laje é muitas vezes aproveitada como área de estar. No caso da Casa V4, quando o terraço é combinado ao jardim obtém-se diferentes níveis de área de estar externo, porém se apresentam como um espaço único.

Integração total na paisagem

Já no projeto da Casa M&M, no terraço é criado uma área verde a fim de se integrar e confundir com a paisagem, além de agir como isolante térmico.

Ventilação Natural

A possibilidade de ter fachadas abertas é muito importante por questões de sustentabilidade e conforto.Portanto é essencial obter ventilação natural sempre que necessário – o que no interior de São Paulo significa a maior parte do ano. Ao mesmo tempo que uma fachada livre significa uma ventilação adequada, é um convite ao exterior.

Iluminação Natural

Também na questão da sustentabilidade, conseguir o máximo possível de iluminação natural é uma preocupação de seus projetos. A utilização de caixilhos de piso à teto tanto garante a entrada de luz durante o dia, quanto produz um efeito de luzes e sombras bastante interessante.

Elementos vazados contrastam com empenas cegas e garantem que o diálogo entre interior e exterior aconteça através da entrada de luz solar e seus efeitos no interior da obra.

Elemento vazado

Dos pontos em comum entre os projetos do Studio MK27, este artigo busca destacar a preocupação em criar uma arquitetura que se integre completamente com os ambientes externos independente do contexto no qual está inserida. Em países tropicais, isso significa tirar proveito das condições climáticas e respeitar questões ambientais. Além, é claro, de estabelecer uma conexão com o entorno e inserir-se na paisagem de forma discreta, ainda que com uma arquitetura imponente.

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