Complexidade e simplicidade num único edifício

Mariana Caldeira Mariana Caldeira
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Hoje a homify 360º selecionou um projeto diferente do que habitualmente lhe apresentamos. Se é verdade que as características da nossa habitação assumem um papel preponderante na nossa qualidade de vida, todos os outros espaços que pontuam o nosso dia-a-dia também influenciam o nosso bem estar, muito mais do que temos consciência. 

Construído para albergar uma das maiores empresas e união de cooperativas portuguesa, foi desenhado um novo edifício, que além de se estabelecer como sede, materializa a representativa de uma empresa que se tem vido a estabelecer, ao longo dos anos. 

A intervenção ficou a cargo da equipa Rocha Leite Arquitectos e Associados, já aqui mencionada graças à qualidade do seu trabalho. Sedeado no Porto, o atelier caracteriza-se pela capacidade de responder a uma grande variedade de desafios, sempre de forma única. Fique a conhecer um dos projetos mais ambiciosos realizados por este atelier nacional.

Contexto

Situado em Póvoa de Varzim, no Norte de Portugal, o lote disponível para a construção era constituído por cerca de 220 000 m2, que resultaram de um estudo urbano previamente realizado. O cliente, a marca portuguesa Agros, pretendia concentrar a grande maioria dos seus serviços, geograficamente dispersos, num único edifício sede. Além de se ambicionar a criação de um certo envolvimento com a natureza, subjacente no conceito da empresa, havia ainda a vontade de integrar neste mesmo espaço equipamentos sociais, recreativos e culturais.

Intervenção

Dada a vontade do cliente de enfatizar o papel da Agros UCRL para o país, a sede da companhia acabou por se localizar num local próximo da estrada que faz fronteira com o terreno (A28), potenciando a sua visibilidade. Apesar dos representantes da Agros pretenderem um edifício em torre, o Plano Diretor Municipal  definia limites ao nível de pisos e alturas que acabaram por assumir um papel preponderante na concepção do edifício. Deste modo, o edifício acabou por assumir a forma de um paralelepípedo, que através da sua horizontalidade proporciona uma relação extremamente interessante com os declives do terreno onde se implanta. Preconizando os níveis de exigência, rigor e modernidade que caracterizam a empresa, a sua sede foi construída através de um projeto com alguma ousadia estrutural, pressupondo um trabalho notável por parte da equipa de engenharia.

Arquitectura

O espaço de 3200 m2 apresenta uma entrada central com um pátio coberto, acedido por uma grande rampa. Em termos funcionais o edifício segue um esquema simples e extremamente racional, composto por quatro unidade fundamentais – os três departamentos e a administração. Dispostos numa planta praticamente simétrica dividida em dois andares, com ala norte e sul, todos os espaços são desenhados através de formas ortogonais, permitindo uma leitura clara do espaço. Os restantes serviços comuns e espaços de circulação vertical encontram-se no centro do edifício, que materializadas em vidro permitem uma relação visual permanente com os restantes espaços. Cada uma das alas do edifício é ainda acompanhada de um pátio semi-fechado que garante uma nível de iluminação natural excepcional potenciando, ao mesmo tempo, a relação já referida com o ambiente.

Acabamentos

Os materiais utilizados procuram criar uma relação de simbologias com as características da Agros UCRL. Sendo assim, a integração do mármore de Estremoz representa a brancura do leite, um dos produtos mais emblemáticos da empresa, que contrasta com o emprego do vidro térmico em cinza escuro. A presença abundante deste material visualmente permeável, permite a entrada de luz natural durante todo o dia e que durante a noite os papeis se invertam, sendo a arquitectura que ilumina a paisagem.

Interiores

Nos interiores a monotonia criada pela pedra e o betão pintado de branco é interrompida pela presença do ferro estrutural, equilibrando a paleta de cores. A forma como os diferente materiais se combinam com as entradas de luz acabou por criar um conjunto harmonioso, que apesar de assumidamente contemporâneo mantém alguns elementos mais tradicionais.

Madeira

Em muitas das divisões que compõem foram integrados pavimentos e outros detalhes em madeira. A presença deste material garante ambiente mais acolhedores, criando atmosferas agradáveis para os trabalhadores que utilizam diariamente o espaço.

Complexidade e simplicidade

A qualidade deste projeto reside na forma como os arquitectos conseguiram equilibrar todos os componentes envolvidos durante o processo criativo e construtivo. A vontade de criar visibilidade sem construir um edifício em altura, o desenho de uma estrutura funcional clara combinada com uma certa dinâmica e ainda a incorporação de materiais tradicionais num edifício assumidamente moderno. De facto, a complexidade de um projeto exigente e a quantidade excepcional de detalhes está camuflada através de uma simplicidade e clareza surpreendentes.

Conte-nos a sua opinião. O que achou do resultado final de um projeto tão complexo?
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