Transformação de um edifício agrícola numa casa

Sílvia Cardoso – homify Sílvia Cardoso – homify
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As construções agrícolas antigas suscitam um crescente interesse ao nível patrimonial. O edifício que hoje lhe vamos mostrar é composto por vários volumes construídos em épocas diferentes, tendo a particularidade de incluir quatro tanques de cimento.

A premissa inicial era a de conservar as diferentes etapas originais da construção e restaurá-las. As paredes em pedra receberam um revestimento tipo cânhamo e as cisternas de cimento foram limpas e envernizadas. Nas partes reconstruídas, empregaram-se técnicas contemporâneas. O conjunto terminado apresenta-se como um palimpsesto arquitectónico que destaca e assume os diferentes períodos de construção.

Vamos, então, conhecer o projecto do celeiro Gîte rural “La Cidrerie” renovado pelas mãos do atelier Briand Renault Architectes.

Acentuado estado de degradação

Os profissionais encontraram este celeiro num profundo estado de degradação. Era ainda possível ver a sua estrutura principal, em pedra, com o desenho de uma casa tradicional. A pedra natural enquadra-se na perfeição no cenário que o celeiro integra. Por se tratar de um material rústico e sólido, poderia ainda ser aproveitado. Porém, o edifício mais não era do que um esqueleto de uma história há muito terminada. Os profissionais tiveram, porém, a sensibilidade de ver para além disso e assim reergueram esta unidade de apoio a trabalhos agrícolas.

Não mais do que uma ruína

A recuperação de um edifício em avançado estado de degradação é sempre um grande desafio. Não importa apenas a componente estética, é também crucial garantir a segurança não só dos profissionais envolvidos, como também dos futuros proprietários, e verificar se os materiais da obra original estão em boas condições para serem mantidos e não precisam de ser intervencionados pouco tempo depois. Antes de se dar uma nova vida a um velho edifício, há, então, que eliminar todas as fontes de perigo.

Estamos a ver bem?

Casas campestres por Briand Renault Architectes
Briand Renault Architectes

Façade ouverte sur la campagne

Briand Renault Architectes

Estamos a ver bem? Estamos, pois. É o mesmo edifício, agora de cara lavada. O resultado final foi tão bem conseguido que até ficamos motivados a ir fazer as malas e ver de perto este refúgio campestre. Afinal de contas, ninguém diz que não a um retiro bucólico francês.

A estrutura basilar da casa foi preservada, mas o telhado é completamente novo e a fachada é agora composta por um interessante trio de reboco, madeira e pedra. É impossível não reparar nos generosos rasgos envidraçados que oferecem à casa um ar moderno e agradável.

A paisagem, outrora triste, morta e abandonada, com vegetação selvagem entregue ao acaso, foi também cuidada. Agora tem vida. Há um pasto, animais, árvores simetricamente plantadas, uma vedação e plantas verdes e bem tratadas.

A ternura dos ambientes rústicos

Casas campestres por Briand Renault Architectes
Briand Renault Architectes

Façade Ouest, avec verrière sur le jardin d'hiver

Briand Renault Architectes

Eis as traseiras do celeiro que agora é casa. Como se pode ver, foi mantida uma grande parte das paredes em pedra, testemunhas da História e de histórias, e responsáveis pelo sentimento rústico que envolve o edifício. Como é natural, foi aplicado nas paredes o devido tratamento para o interior se manter quente e confortável. No telhado, e possivelmente para compensar a ausência de janelas desta parte, existe uma grande claraboia que deixa entrar uma quantidade generosa de luz natural. Deste lado da casa há, ainda, um pequeno, mas simpático, terraço com uma decoração colorida reminiscente dos soalheiros dias de Verão.

Vidro por todo o lado

Salas de estar campestres por Briand Renault Architectes
Briand Renault Architectes

Salon ouvert sur les anciennes citernes à cidre

Briand Renault Architectes

Na zona comum do interior do celeiro o destaque vai para as superfícies em vidro que criam uma atmosfera fantástica. Para além da ampla janela a dar para o pasto, há ainda uma parede em vidro que deixa ver as cisternas de cimento. Estes detalhes denotam a preocupação dos autores do projecto em fazer o moderno encontrar-se com o passado, valorizando ambas as épocas.

O mobiliário compõe uma pequena zona de estar. Ainda é escasso, mas suficiente para a criação de uma área social que percorre uma estética algures entre o clássico e o retro. No conjunto, e pelo menos no momento em que as fotografias foram tiradas, parece-nos que a decoração ainda está inacabada e não acompanha a lufada de ar fresco que é o exterior.

De subida até ao sótão

Jardins de Inverno campestres por Briand Renault Architectes
Briand Renault Architectes

Jardin d'hiver, au-dessus des anciennes citernes à cidre

Briand Renault Architectes

Lembra-se da claraboia aplicada de forma zenital que lhe mostrámos mais acima? É, de facto, uma adição essencial. De outra forma, este que agora é um sótão arejado e bem iluminado, seria escuro e taciturno. Sentados nas cadeiras de verga, os proprietários podem desfrutar da paisagem, de um dia de sol ou do som confortável da chuva numa noite mais fresca.

Uma mudança como do dia para a noite. Ao ver a primeira imagem, diria que aquela ruína tinha tanto potencial? Deixe-nos as suas ideias na caixa de ...
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