História e modernidade numa habitação única

Mariana Caldeira Mariana Caldeira
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Todos os projetos de arquitetura que intervêm num local com algum tipo de preexistência acabam por se revelar especialmente interessantes. A verdade é que seja por demolição, contradição ou continuação, os arquitetos responsáveis pela obra acabam por ter de seguir algum tipo de abordagem relativamente ao espaço existente.  O projeto que lhe apresentamos hoje destaca-se precisamente pela relação que escolheu desenvolver com os espaços antigos que existiam no lote e a forma como decidiu integrar uma nova dimensão contemporânea. Se gosta de soluções simples e inesperadas, de certeza que o trabalho desenvolvido pela equipa FCC Arquitetura não o irá desiludir. Saiba como se projeta uma habitação contemporânea entre paredes históricas.

Lugar e contexto

A habitação situa-se numa pequena localidade portuguesa do concelho de Felgueiras conhecida por Rande. Caracterizada por construção de baixa densidade e envolvida pela paisagem verde no norte de Portugal, Rande é marcada por uma modestidade que assumiu um papel preponderante nas opções arquitectónicas que fundamentaram o projeto. 
O lote intervencionado já se encontrava ocupado por dois volumes em granito bastante degradados pela ação continua do tempo. No entanto, estes dois espaços caracterizados pela geometria simples da construção típica da zona, acabaram por se tornar os elementos orientadores de todo o desenho da nova habitação.

Intervenção

Dado o interesse arquitectónico e histórico das preexistências, a equipa de arquitetos optou por manter totalmente as paredes exteriores dos dois volumes bem como o espigueiro existente no local, muito característico desta região. No entanto, a elevada degradação em que se encontravam os interiores destas construções fizeram com que o atelier opta-se por os demolir ocupando-os com um novo sistema funcional adaptado à atualidade. 
Para harmonizar esta nova dimensão contemporânea com as características tradicionais da construção e estabelecer o diálogo entre os dois volumes foi desenhado um terceiro volume que completa a composição arquitectónica. Situado entre os espaços originais, este volume além de optimizar o funcionamento da habitação permite que este seja lido como um todo e não como uma composição desfragmentada, constituída por várias partes.

Organização

Funcionalmente, o projeto desenvolveu um esquema de circulações e funcionamento simples e claro de leitura intuitiva. A zona central da habitação é responsável por grande parte do sistema de circulações que divide a casa em duas áreas fundamentais: uma a zona social junto à rua de acesso principal e uma zona intima mais resguardada. As funções mais públicas da casa, como a cozinha, zona de estar e uma pequena casa de banho de apoio foram localizadas no volume mais antigo da construção, preservando a sua memória. As restantes divisões, pressupondo um maior grau de intimidade, foram integradas no volume oposto, integrando duas suítes, um espaço multifunções e ainda um quarto principal com o seu próprio closet e instalação sanitária. Abaixo deste nível que integra a maioria das divisões, foi ainda incorporada uma garagem, uma lavandaria e uma sala polivalente capaz de servir uma multiplicidade de funções.

Materiais

Os materiais adoptados deram origem a uma diversidade que se harmoniza num conjunto equilibrado. As tradicionais paredes em granito foram contrapostas pelo branco dos novos espaços construídos em betão. Qualquer hipótese de monotonia é ainda quebrada pela integração de detalhes em madeira e em vidro, uma combinação que confere tradicionalidade e modernidade a uma só obra.

Iluminação

Seja nos volumes mais antigos ou nos novos espaços em betão, todas as divisões são dotadas de uma iluminação natural absolutamente fantástica. Os vãos abrem-se corajosamente ao exterior em formas geométricas harmoniosas e caixilhos em metal que tornam os espaços agradavelmente intemporais. 

Tradição e modernidade

O mais interessante deste projeto é sem dúvida a forma harmoniosa como se integrou uma nova dimensão contemporânea num espaço histórico. Um diálogo que se estabeleceu entre tradição e modernidade num resultado único. O trabalho desenvolvido pelos arquitetos do atelier FCC Arquitetura prima pelo respeito pela memória de um lugar através de intervenções contemporâneas que tornam o conjunto uma obra arquitectónica única.

O que achou desta intervenção? Agrada-lhe este compromisso entre tradição e modernidade?
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