A beleza e imperfeição de uma casa nas Astúrias

Sílvia Cardoso – homify Sílvia Cardoso – homify
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Álvaro Tagarro e Rodrigo de Miguel Martínez são os arquitectos responsáveis por este maravilhoso projecto que hoje lhe vamos mostrar. Trata-se da reforma de uma casa situada numa localidade costeira asturiana na vila de Luarca cuja peculiaridade reside na constante busca da imperfeição como forma de alcançar a beleza. Era um edifício de pedra e madeira num cenário rural rodeado de outras vivendas unifamiliares de carácter agrícola e pecuário assentes no território de forma irregular e dispersa. O proprietário pretendia conservar a memória da casa e as recordações e sentimentos que remanesciam da família e, por isso, segundo os arquitectos, a intervenção consistiu em “criar um refúgio que evidenciasse essa beleza humilde que têm as coisas simples, imperfeitas e com memória desgastadas pelo tempo”.

Abertura para o exterior

Ainda que de uma maneira simples e discreta, a casa tinha uma presença dramática no contexto em que se inseria. Dispunha de fachadas de pedra, de uma estrutura em madeira e de uma cobertura de duas águas. Era uma imagem que os arquitectos pretendiam conservar. No entanto, os interiores eram demasiado escuros. Assim se tomou uma importante decisão para o projecto: o volume, as paredes perimetrais, as aberturas e a estrutura iriam ser mantidas, mas a fachada orientada a Este seria derrubada para que se abrisse para a bela paisagem de montanha e de mar.

Aberturas imperfeitas

A intenção dos arquitectos em demonstrar como a imperfeição pode ser atraente foi levada a este ponto. As aberturas da janela mantiveram-se com este ar de ruína e foram cobertas com caixilharia de metal e vidro de diferentes tamanhos e formas de maneira a que a percepção de cada uma delas seja distinta.

Madeira, pedra, aço e vidro

Estes são os quatro materiais que predominam na casa. Os dois primeiros, rugosos e quentes, herdados da construção pré-existente, convivem com os novos, muito mais frios, mas que encaixam perfeitamente na ideia de imperfeição e de construção permanente que os arquitectos procuravam. Como vemos na fotografia, a vivenda converteu-se agora num único volume de três pisos e recebe luz e sol através da fachada em vidro.

Volume único e áreas abertas

A casa está estruturada em três andares. Não há paredes, de modo que todo o volume apresenta áreas abertas. No andar de baixo – que podemos ver a partir desta perspectiva – há uma pequena cozinha, uma casa de banho e uma sala de estar; o primeiro andar integra o quarto principal e no sótão existe uma área para o proprietário tocar guitarra e descansar a partir da qual se acede a uma varanda com vista para o mar que se prolonga sobre a fachada de vidro.

Uma escadaria multifuncional

escadaria que liga o piso térreo e o primeiro é leve, com uma construção simples, mas segura e robusta. Os degraus são chapas de aço que se transformam, no caso da cozinha e também do quarto, num balcão e numa mesa, respectivamente. 

Casa de banho

casa de banho do primeiro andar, junto ao quarto, tira partido da bela vista através da fachada envidraçada. Aqui, voltam-se a misturar a pedra, o aço e o vidro, assim como as texturas rugosas e oxidadas. Trata-se de uma casa de banho que parece acompanhar o mote da construção, que nos convida a que dela usufruamos pouco a pouco, sem pressas e que a modifiquemos mas, tal como o resto da casa, que a deixemos envelhecer.

O que achou deste projecto em que a preservação do traço original falou mais alto? É, sem dúvida, muito original! 
Casas modernas por Casas inHAUS

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