Casa antiga adequada aos tempos modernos!

Mariana Caldeira Mariana Caldeira
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Durante a segunda metade do século XVIII, a cidade do Porto foi alvo de importantes obras de expansão urbana desenvolvidas por João de Almada. Baseada em conceitos racionais que definiam eixos fundamentais e espaços públicos, esta intervenção deu origem à zona atualmente reconhecido como Baixa do Porto. A construção implementada era bastante densa e formada por filas de casas com fachadas e desenho de vãos estandardizados. 

Partindo de um destes edifícios de habitação unifamiliar, o arquiteto Bernardo Amaral desenvolveu um excelente projeto de reabilitação que preservando a maioria das característica originais do espaço conseguiu reorganizar o espaço de forma a integrarem vários apartamentos. Formado pela Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto, o arquiteto acredita que grande parte do processo criativo deve ser baseado na interpretação do lugar de forma a criar analogia com outras experiências. 

Préexistência

Situado na Rua do Pinheiro, entre a Rua do Almada e a Rua de Cedofeita, o edifício incorpora a maioria das características arquitectónicas da construção típica da época em que foi construído. Composto por quatro pisos mais um posteriormente acrescentado, o espaço apresentava vários sinais de degradação devido ás infiltrações provenientes da cobertura e do abandono continuado ao longo dos últimos anos.

Programa

Sendo que o edifício foi originalmente pensado para uma única família numerosa, o principal desafio da intervenção foi a necessidade de transformar a sua organização funcional de forma a integrar entre quatro ou cinco habitações pequenas.

Baseando a nova compartimentação na relação com as fachadas e iluminação natural, Bernardo Amaral acabou por dividir a área de forma a integrar três apartamentos Duplex (dois T1 e um T2),  apartamento estúdio e um espaço dedicado à incorporação de escritórios no piso térreo.

Circulação

Os apartamentos são servidos pela caixa de escadas original, iluminada zenitalmente por uma clarabóia na cobertura. Uma vez o novo arranjo funcional exigia a integração de novas cozinhas e casas de banho, os sistema de ventilação foi também criado de forma a tirar partido deste vazio central no corpo arquitectónico.

Conceito

Uma vez que o espaço intervencionado compilava um elevado valor histórico e características arquitectónicas típicas de um época importante na história da cidade, optou-s e por manter tanto quanto possível o seu carácter original. No entanto, evitando contrastes dramáticos, foram introduzidos novos elementos inerentes ao novo programa funcional numa linguagem contemporânea.

Interiores

Dotados de uma iluminação natural fantástica, o desenho dos espaços interiores manteve-se o mais simples possível de forma a complementar a beleza natural dos espaços. Através do calor dos pavimentos em madeira natural e o minimalismo das paredes brancas foram criando espaços que apesar da pouca mobília são inesperadamente acolhedores. Destaca-se o desenho das novas escadas que apesar de muitos simples e modernas relacionam-se com os detalhes tradicionais de forma muito harmoniosa

Cozinha

Uma das soluções mais inteligentes da intervenção é sem dúvida a integração da cozinha. Incorporada na zona de estar de cada habitação, esta divisão foi desenhada de forma a estar presente ou esconder-se conforme a ocasião. Num design moderno, a cozinha é delimitada por portas brancas de correr que garantem uma maior versatilidade a cada habitação

Casa de banho

A casa de banho segue a mesma lógica conceptual da intervenção. Conjugando a pedra da parede com a presença do vidro e um lavatório minimalista é possível criar um conjunto harmonioso num diálogo entre o presente e o passado.

Novos usos

Todos os espaços são ainda servidos por varandas que permitem que cada apartamento respire e possa desfrutar da paisagem típica da cidade do Porto. 

O trabalho desenvolvido pelo arquitecto destaca-se pela vontade de preservar uma memória importante da arquitectura portuguesa apesar das novas exigências habitacionais. A utilização de materiais e soluções contemporâneas relacionaram-se com as características originais de forma serena sem preconizar qualquer sensação de contraste ou contraposição.

Além de responder aos desafios impostos pelas exigências do novo programa, este projeto veio demonstrar como é possível adaptar os mais variados edifícios do séculos XVIII e XIX a novos usos sem comprometer o respeito pela história. 

Conte-nos a sua opinião. Imagina este tipo de soluções noutros edifícios da Baixa do Porto?
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