Casa campestre com interiores de sonho

Mariana Caldeira Mariana Caldeira
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Situado no ponto mais ocidental do continente europeu, fomos encontrar um projecto português absolutamente incrível. Desenvolvida a partir de uma muralha de pedras abandonada, apresentamos-lhe uma casa que procura adaptar-se à sua envolvente através da incorporação de formas orgânicas e materiais modestos.

A equipa responsável pela intervenção foi liderada pelo arquiteto Pedro Quintela, conhecido por fundamentar o processo criativo de uma obra na compreensão e preservação do espírito do lugar. Preconizando a lógica criativa dos elementos naturais que nos rodeiam, o atelier baseia a sua metodologia projetual em três fases fundamentais: Uma primeira fase de adaptação marcada pelo aparecimento de respostas espontâneas ao lugar, seguida de uma fase de transformação apoiada na reflexão e finalmente a cristalização que completa o desenvolvimento do sistema criativo.

Lugar

As ruínas existentes no lote resultam do abandono da que foi uma das casas mais importantes da vila de Azóia na região de Sintra. No topo de uma das ruas mais pitorescas desta zona, as muralhas acomodavam um forno comunitário onde as pessoas se deslocavam para cozer o pão. Além deste contexto histórico que assumiu um papel preponderante no desenvolvimento do projeto, o lugar debruça-se sobre o Oceano Atlântico integrando-se num conjunto com uma beleza natural fantástica.

Conceito e programa

Embora composto por paredes bastante fragilizadas, o atelier optou por preservar a memória do lugar mantendo grande parte das características da sua arquitectura. Devido às característica climáticas do lugar e à envolvente construída, o projeto aproveitou as muralhas existentes para se proteger abrindo-se a poente em direção ao oceano. 

Incorporando o típico programa habitacional, a obra desenvolve-se em dois pisos sendo que o piso térreo integra as funções mais públicas da casa e o primeiro piso uma zona mais íntima e resguardada com um terraço dedicado à apreciação da paisagem.

Iluminação

A iluminação foi sem dúvida um dos aspetos que mais influenciou este projeto. É no mínimo incrível a forma como se integrou a presença de luz natural nos vários espaços sem comprometer a privacidade de cada divisão com janelas. Desta forma a iluminação é garantida através de rasgos pontuais e clarabóias estrategicamente colocadas de forma a criar espaços acolhedores, íntimos e luminosos.

Interiores

Os interiores caracterizam-se pelo desenho de formas orgânicas que nos convidam a visitar os espaços num percurso extremamente fluído. A entrada principal é antecedida por um pequeno pátio que nos leva a um piso térreo. Este piso distribui as divisões em planta aberta à excessão de um quarto e casa de banho de serviço que apresentam, naturalmente, portas. Desta forma a casa potencia o convívio entre habitantes ou convidados através da inexistência de grandes elementos físicos entre os vários espaços. No primeiro piso, o sistema de circulações foi bastante mais controlado de forma a garantir as exigências de privacidade da zona de quartos com casa de banho de apoio.

Materiais

Acreditando que a simplicidade dos materiais é capaz de ressaltar a beleza da arquitectura, o arquitecto optou por uma variedade muito reduzida destes explorando ao máximo as potencialidades de cada um. A madeira foi utilizada de forma a recrear as formas suaves e maleáveis da sua origem responsabilizando-se pelo ambiente extremamente acolhedor dos diferentes espaços. Inspirado nas praias das proximidades, o revestimento interior e exterior foi conseguido através da mistura da cor natural das areias com o cimento branco finalizado com um banho de verniz transparente.

Multiplicar

Dos vários materiais escolhidos, destaca-se ainda a incorporação de uma espécie de mini azulejos/espelhos na casa de banho que além de darem outra alegria a esta divisão refletem a luz multiplicando a sensação de iluminação.

Decoração

Seguindo mais uma vez a lógica projetual do atelier, a decoração foi se desenvolvendo de forma natural ao longo do processo criativo. Foram os próprios espaços que orientaram os arquitectos dando origem a alguns elementos decorativos estruturalmente integrados na arquitetura da casa.

Mobília

Toda a mobília foi cuidadosamente escolhida completando o desenvolvimento espacial escolhido. A integração de elementos de linhas minimalistas complementa a beleza natural das diferentes divisões.

Uma obra total

A qualidade desta obra resulta do acompanhamento de todas as fases do projeto, que se desenvolveu ao longo de dois anos. De facto a monitorização da intervenção no próprio lugar deu origem a opções projetuais que não teriam sido possíveis de outra forma. Pedro Quintela não acredita na forma de projetar contemporânea onde os projetos são desenvolvidos até ao último pormenor através de desenhos que são posteriormente entregues à câmara. Desde a criação de terraços e novas janelas à incorporação de uma pedra inesperadamente encontrada na base das escadas, é notória a relação íntima que o arquiteto desenvolveu com a casa adaptando-a ao lugar e à personalidade que o próprio projeto ia ganhando.  

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