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Sobreiras - Alentejo Country Hotel Piscinas modernas por FAT - Future Architecture Thinking Moderno
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Sobreiras - Alentejo Country Hotel Piscinas modernas por FAT - Future Architecture Thinking Moderno
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Sobreiras - Alentejo Country Hotel Piscinas modernas por FAT - Future Architecture Thinking Moderno

O Sobreiras – Alentejo Country

Hotel insere-se numa propriedade de cerca de 25 ha na Serra de Grândola, a 200 m de altitude, numa zona onde o terreno ondula de forma suave mas evidente, salpicado por sobreiros, azinheiras, oliveiras e vegetação autóctone variada. Montes Alentejanos dispersam-se pela serra e a vibração da paisagem propaga-se até um horizonte longínquo.

Apenas a uma hora de distância de Lisboa e a poucos minutos da Vila de Grândola, o contexto rural em que se insere a propriedade, enormemente favorecido pela particular beleza do local, determinou a definição do conceito que orienta este empreendimento – promover a fruição da natureza e a descoberta da cultura da região.

O projecto é da autoria do arquitecto Miguel Correia, em conjunto com a sua equipa multidisciplinar do atelier FAT - Future Architecture Thinking que conta com cerca de 30 elementos entre arquitectos, urbanistas, paisagistas e designers.

A preocupação com a preservação e aproveitamento das características físicas e morfológicas do local, dita os princípios base da intervenção: um design simples e elegante inspirado na natureza envolvente com a riqueza de paisagens e sabores do Alentejo.

O objectivo foi valorizar e privilegiar o contexto rural em que o hotel se integra, tomando-o como tema, procurando proporcionar um espaço de fruição do campo, pleno de conforto e sossego, num ambiente simples e contemporâneo.

No cabeço escolhido para a implantação do hotel, a vista estende-se panoramicamente para nascente. A fauna da serra revela-se nos sons que habitam os campos. O céu em constante mutação transfigura a paisagem multiplicando as suas leituras. O tempo passa tranquilo e devagar.

Decidida a implantação na cota mais elevada, a disposição das árvores aí existentes levou à divisão do mesmo em vários módulos que, implantando-se por entre as árvores, preservam o património florestal, usufruindo da sua protecção e enquadramento.

O hotel é composto por oito volumes «pousados» no terreno por meio de uma estrutura que os mantém sobreelevados, minimizando, não só a impermeabilização do solo como a extensão da área afectada pelas fundações.

O maior volume contém a entrada e recepção do hotel e também um conjunto de espaços comuns e de estar. Os volumes mais pequenos incluem as instalações destinadas ao pessoal, bem como espaços técnicos, de armazenamento e serviço. Os restantes 5 volumes, de dimensões aproximadamente equivalentes, albergam os 22 quartos e 2 suites, todos com espaços amplos, design minimal e terraço privativo, dispostos em conjuntos de 4 ou 5 unidades, proporcionando todo o conforto e privacidade para desfrutar da tranquilidade do campo.

O conjunto edificado, formalmente desenvolvido a partir da conjugação de volumes evocativos da imagem tradicional de casa, procura uma identificação com as características da arquitectura tradicional da região, na sobriedade das linhas e dos materiais.

Os troncos de madeira utilizados nas fachadas estabelecem um diálogo com a paisagem envolvente, contrastando com os volumes brancos de geometria simples e depurada.

A preocupação com a estabilidade térmica do construído, indispensável a uma gestão racional dos recursos energéticos necessários ao funcionamento do hotel e ao conforto das instalações, reflecte-se nalgumas das opções arquitectónicas tomadas.

A abertura dos vãos é orientada preferencialmente a nascente, tal como acontece na arquitectura tradicional alentejana, para protecção da intensidade do sol de poente. A abertura de grandes vãos pretende tirar partido da vista panorâmica, destacando a paisagem exposta como um grande quadro no interior de cada espaço.

Para assegurar a protecção destes grandes vãos, nos períodos de incidência solar mais agressiva, foram criados terraços e alpendres através do prolongamento da cobertura e da utilização de varas de madeira para sombreamento.

As paredes, tanto exteriores como interiores, e as coberturas foram dimensionadas e caracterizadas considerando as necessidades do isolamento térmico e acústico dos espaços. Também a escolha de caixilharias com corte térmico e do vidro com características específicas prescritas para o local, tem como preocupação o conforto térmico do edifício. A abertura de vãos em fachadas opostas, nos quartos e salas, favorece a ventilação natural dos espaços.

Todas estas medidas, entendidas como integrantes de um sistema de climatização passivo, visam reduzir ao mínimo a necessidade de utilização de sistemas activos complementares.

A escolha dos sistemas seleccionados, para satisfazer cada uma das necessidades técnicas do edifício, tem como preocupação o respeito pelo ecossistema e como objectivo a eficiência e sustentabilidade de todo conjunto.

Tendo em vista uma optimização de recursos, o sistema construtivo utilizado combina painéis de silicato de cálcio e uma estrutura de apoio da cobertura em perfis metálicos. Os painéis são compostos por duas lâminas de silicato de cálcio, que conferem rigidez, preenchidos por argamassa e EPS, que garante leveza e maior resistência térmica e acústica ao painel, adequando-o às mais diversas utilizações. A opção por este sistema construtivo considerou uma maior rentabilização na construção, reduzindo a necessidade de mão-de-obra e o tempo de execução, permitindo a conclusão da obra em apenas um ano.

A sustentabilidade da intervenção foi avaliada no contexto do lugar, considerando o impacto ambiental e as necessidades de recursos energéticos, bem como a viabilidade técnica e económica das infra-estruturas, no que respeita à instalação, manutenção e exploração das mesmas.

Sendo a água um recurso fundamental, as características climáticas de uma região como a do Alentejo impõe a exigência de optimização da sua gestão. Como medida de poupança da água, todas as torneiras e chuveiros do hotel incluem dispositivos de redução de caudal e as torneiras das instalações sanitárias de uso comum e dos balneários da piscina incluem temporizador. Para o aquecimento de águas sanitárias foi previsto um sistema solar térmico.

A extensão das coberturas inclinadas propostas para o conjunto edificado, torna pertinente a instalação de um sistema de aproveitamento das águas pluviais que permita a acumulação de água da chuva e sua utilização para rega, como forma de combater a ocasional escassez deste recurso.

O projecto de Arquitectura Paisagista intervém de forma subtil na paisagem tendo como objectivo preservar e evidenciar as características naturais deste território. A intervenção concentra-se na vertente Oeste do cabeço, por onde se acede e onde se implantam os volumes construídos, deixando intacta a vertente a Nascente que constitui o cenário natural do Hotel.

A manutenção das dinâmicas naturais deste lugar constitui o fundamento da intervenção que, ao nível do espaço exterior, se manifesta no recurso a materiais naturais e ecológicos. O acesso ao Hotel é concretizado em saibro garantido uma integração na paisagem e a preservação da permeabilidade do solo.

Cada módulo é antecedido e enquadrado por uma faixa arbustiva, que acompanha todo o percurso pedonal de acesso aos quartos, e que exacerba a mutabilidade da paisagem através das diferentes expressões que vai assumindo ao longo do ano. A definição de áreas plantadas foi reduzida ao essencial – minimizando o recurso à rega e a manutenção – deixando todo o protagonismo para o montado de sobro.

O restante terreno preserva as características naturais da paisagem alentejana – o montado, os prados de sequeiro e a sazonalidade inerente – que constituem a verdadeira essência da intervenção.

Os diversos espaços exteriores estão pensados para o lazer tirando partido da extraordinária beleza da paisagem e a piscina infinita parece convidar a um verdadeiro mergulho na natureza, com o horizonte a perder de vista.

Ficha técnica:

Cliente: Sobreiras – Alentejo Country Hotel

Localização: Serra de Grândola, Portugal

Área: 2.500 m2

Arquitectura: FAT - Future Architecture Thinking

Equipa de Projecto: Arquitectos: Miguel Correia, Elsa Soares da Cunha, João Figueiredo, Pedro Saavedra, Patrícia de Carvalho, Virgínia Gomes, Francisca Romãozinho, Telmo Maia, Gabriel Santos, Sara Gonçalves, Margarida Magro, Hilário Abril / Arquitecta Urbanista Susana Mello / Arquitecta Paisagista Sara Távora / Designer Nicole Côrte-Real

Engenharia: GWIC

Construção: TECNORÉM

Projecto / Obra: 2012 / 2015

Fotografia: João Morgado

Créditos fotográficos: João Morgado
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